O VENTO NA CARA
Lágrimas dos olhos de
Laurinha corriam.
Eram de alegria, eram de
alegria.
Como estava sendo bom
ficar com o pai todos aqueles dias.
Os pais haviam se
separado há dois anos. E os dias que passava com o pai eram dias de aventuras,
comilanças e risos.
Já com a mãe. A mãe tinha
aquela cara triste e ficava sempre tão calada.
-- Pai, por que vocês se
separaram?
-- A gente não combinava,
minha filha.
Dizer o quê diante destas
palavras do pai?
Para a mãe ela não perguntava
nada. Apenas a abraçava quando a via tão caladinha e tristinha.
E assim o tempo passava.
Se pudesse escolher
ficaria com o pai. Mas não podia, nem devia.
Já estava com quatorze
anos e entendia um pouco da vida.
Era filha única e o mundo
quase desabara quando fora comunicada pelos pais que eles estavam se
divorciando.
-- Divórcio?
É, eles se divorciaram.
Cada um para um lado e ela no meio. No meio de tudo isso.
-- Papai, aonde vamos agora?
-- Vamos visitar a minha
madrinha, a dona Constança.
-- Ah, que bom! Gosto
tanto dela e dos doces que ela faz.
-- Vamos lá então.
A madrinha era uma mulher
meiga e os beijava tanto quando chegavam. Depois ia providenciar um pratinho de
doce e os dois se deliciavam.
Laurinha não falava da
mãe ao pai, nem ele perguntava.
Já dona Constança sempre
dava um jeitinho de ficarem a sós e perguntava. Queria saber como estava
Estela, se passavam alguma necessidade.
-- Não, dona Constança.
Meu pai não deixa nada nos faltar. Além da minha pensão ele ajuda muito a mamãe.
-- Não entendo o que
houve com eles.
-- Nem eu. Adoro meus
pais, gostaria que morassem juntos. Vejo minha mãe sempre tão triste.
-- Jorge parece estar bem.
-- É, parece...
Logo se despediam da
madrinha e andavam de moto pelas ruas da cidade. O vento na cara, os risos.
Mas logo ela voltaria
para casa e encontraria a mãe daquele jeito.
-- Gostaria de morar com
você, papai.
-- Sabe que não é o
certo. Sua mãe morreria de tristeza.
Dizer a ele que a mãe já
estava morrendo de tristeza? Que era uma mulher melancólica?
-- Vamos tomar sorvete?
-- Vamos.
E logo estavam saboreando
o sorvete totalmente esquecidos de Estela.
Mas mais tarde ela voltaria
para casa...
sonia delsin

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